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Registo 90

Registo da vida a mudar desde 01/01/1990.

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Religião: Voltei à missa um dia

Deixei de ir à missa quando entendi que a religião se trata de um sistema de crenças organizadas para estabelecer regras e formas de estar que servem para controlar as massas.

 

Num piscar de olhos, passaram-se 10 anos desde que abandonei a religião e ainda incapaz de identificar de memória qual o tema em voga no ano de 2008, sou no entanto, capaz de afirmar com certeza que os temas mais falados na internet em 2018 são o feminismo, a transfobia, a homofobia, a identidade de género e do extremo oposto destas formas de pensar de esquerda, o renascimento de uma direita conservadora, antiquada, religiosa e xenófoba.

 

Enquanto na internet, no Brasil, Kéfera é acusada por Luba por usar de forma desmesurada e apropriada o feminismo, Luba é acusado de confundir “liberdade de expressão” com “lugar de fala”, e várias pessoas explicam o “lugar de fala” e debatem a desatualização da falácia “ad hominem”; Maira Medeiros encontra em capas de revistas dos anos 90 todas as formas como as mulheres eram objetificadas; Lorelay Fox mostra que Pabllo Vittar não pertence à lista de mulheres mais sexys do mundo, nem à lista de homens mais sexys do mundo, e que listas de pessoas mais sexys não tem cabimento nos dias de hoje, tal como os concurso de beleza, que apenas catalogam e padronizam pessoas deixando de fora belezas naturais e prejudicam a auto aceitação de pessoas comuns; Pabllo Vitar é a Drag Queen mais famosa do mundo e está em várias listas de TOPs mais ouvidas em vários países; Jout Jout Prazer faz um tributo mensal aos Homens, para que se perceba que o Feminismo os inclui também e que não ameaça a sua masculinidade; as meninas do Papo de Preta falam em “Feminismo Negro” e Ana Paula Xongani fala de racismo, e Alexandra Gurgel nos seus Alexandrismo fala de auto aceitação, sobre ser branca e gorda; pais à minha volta, observam sem entender o fascínio, as suas crianças a verem os “Youtubers” na internet.

 

Pais estejam alerta. As vossas crianças estão a ser desconstruídas, ensinadas e empoderadas.

 

Elas não estão a ser formatadas para ouvir sermões de missa.

 

Enquanto esses youtubers famosos brasileiros falam aos jovens portugueses sobre temas que os jovens precisam de ouvir falar e aprender sobre, eu estou sentado no segundo banco de uma igreja para ver os noivos de perto e acompanhar com detalhe todos os desenvolvimentos desse acontecimento que encerra 2018.


O sermão é sempre aquela parte chata da missa, em que o Padre fica tentando encontrar nas escrituras alguma coisa que possa se aplicar ao casal e tentando dar conselhos ou fazendo afirmações sobre como deve ser a vida dos noivos, baseando no pouco que conhece de ambos.

 

Não é fácil, em 2018, alguém ler e defender num púlpito que Deus fez Homem e Mulher, a mulher deve ser obediente ao seu homem, que deve ser submissa aos seus maridos, e que deve ser fecunda e ter filhos como árvores têm frutos.

 

Qualquer argumento, pode ser destruído ao observar que a noiva é uma campeã de Karaté, mestre em Finanças Empresariais, Licenciada em Gestão e Sub-Gerente num Banco.

 

Claramente, não atingiu tais patamares sendo submissa, casta, fecunda, obediente e menos do que um homem. Se o casamento lhe prova alguma coisa é que além de bem sucedida profissionalmente, nos seus passatempos, é bem sucedida também emocionalmente, e uma igreja cheias de amigos ajudam a provar que é bem sucedida nas suas relações de afetivas.

 

Dou por mim a concluir que a igreja católica não está preparada para casar as mulheres de hoje, porque tenta projetar e reforçar nelas uma papel que não vão cumprir, e que não faz sentido algum.

 

No entanto, a gravidade das afirmações não se fica pela desatualizada escritura católica, escrita por padres homens heterossexuais à vários séculos atrás.

 

O Padre coloca-se numa postura mais à vontade, como quem fala não a verdade de Deus, mas a sua verdade e começa a desenrolar um conjunto de afirmações homofóbicas, transfóbicas, sexistas, anti feministas e até xenofóbicas.

 

Começamos pela afirmação que Deus fez homem e mulher e não um caracol e uma caracola. E que se não sabem o porquê do Caracol,explicar que o Caracol é um “Híbrido”. E que “hoje em dia, andam por aí umas pessoas que já ninguém sabe se são homem ou mulher. E que esses que andam praí que não sabem se são homem ou mulher, caracol ou caracola, que deixem casar e viver os que são Homem e Mulher. Que não venham impedir o casamento e atrapalhar os que são Homem e Mulher.”

 

Incrédulo, ri.

 

À vários anos atrás ouvi esta frase que decretou uma visão em mim, que penso ser a mais abrangente, inclusiva, realista, naturalista e humana: “Tudo o que existe na natureza é natural”.

 

Para a minha vida levo duas conclusões, retiradas deste evento:não volto a ir a missas, e a doutrina religiosa nunca esteve tão dissociada da realidade e da humanidade.

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