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Registo 90

Registo da vida a mudar desde 01/01/1990.

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Minimalismo: Em busca de uma vida com propósito.

O minimalismo apareceu na minha vida porque eu não estava bem e precisava de mudar. A minha vida estava cheia de apêndices e sabia que não conseguiria mudar tendo todas aquelas âncoras. 

 

Então, fiz limpezas, doações, organizei várias coisas.

 

Agora, estou mais livre, embora nunca totalmente, de âncoras e apêndices. Agora, tenho mais tempo para me dedicar a viver uma vida mais intencional e com um propósito, porque tenho menos roupa para lavar, menos móveis para limpar, menos tarefas para fazer, posso viajar ou mudar de casa ou de lugar com menos trabalho e preocupações.

 

No entanto, dei por mim a pensar que uma vida com propósito não tem nada a haver com uma vida minimalista. 

 

Se o meu propósito é ser saudável, eu tenho que fazer exercício. Se o meu propósito é mudar de profissão, posso simplesmente fazer várias formações online e ler vários livros para me instruir e me capacitar para desempenhar um novo trabalho.

 

O minimalismo ou o a desorganização ou mesmo a tralha não impede muitas pessoas de prosseguirem os seus objectivos.

 

O "mindset" e a necessidade são motores mais potentes que os as mobílias ou montanhas de roupa. Mudar tem tudo a haver com motivação, determinação, força de vontade, rotina. E muito pouco a haver com a quantidade de camisas que a pessoa tem ou o tamanho da colecção de livros.

 

No entanto, acho que se devia falar de minimalismo ou de desapego ou mesmo de intencionalismo num sentido mais abrangente.

 

Muitas vezes aquilo que nos impede de seguir em frente são relações de amizade, familiares ou afectivas, são dificuldades financeiras ou obrigações, como por exemplo, ter animais de estimação.

 

Nesta minha jornada, encontrei o minimalismo e métodos de organização como Kondo Marie, método dos envelopes, bullet journaling, como ferramentas determinantes para viver uma vida com propósito e intenção, para me ajudar a resolver maus hábitos financeiros, reduzir o stresse, a lidar melhor com o facto de morar sozinho e ser solteiro, mas hoje sei que essa é uma escolha pessoal e que nada tem a haver com o propósito que posso ou quero dar a minha vida.

 

Religião: Voltei à missa um dia

Deixei de ir à missa quando entendi que a religião se trata de um sistema de crenças organizadas para estabelecer regras e formas de estar que servem para controlar as massas.

 

Num piscar de olhos, passaram-se 10 anos desde que abandonei a religião e ainda incapaz de identificar de memória qual o tema em voga no ano de 2008, sou no entanto, capaz de afirmar com certeza que os temas mais falados na internet em 2018 são o feminismo, a transfobia, a homofobia, a identidade de género e do extremo oposto destas formas de pensar de esquerda, o renascimento de uma direita conservadora, antiquada, religiosa e xenófoba.

 

Enquanto na internet, no Brasil, Kéfera é acusada por Luba por usar de forma desmesurada e apropriada o feminismo, Luba é acusado de confundir “liberdade de expressão” com “lugar de fala”, e várias pessoas explicam o “lugar de fala” e debatem a desatualização da falácia “ad hominem”; Maira Medeiros encontra em capas de revistas dos anos 90 todas as formas como as mulheres eram objetificadas; Lorelay Fox mostra que Pabllo Vittar não pertence à lista de mulheres mais sexys do mundo, nem à lista de homens mais sexys do mundo, e que listas de pessoas mais sexys não tem cabimento nos dias de hoje, tal como os concurso de beleza, que apenas catalogam e padronizam pessoas deixando de fora belezas naturais e prejudicam a auto aceitação de pessoas comuns; Pabllo Vitar é a Drag Queen mais famosa do mundo e está em várias listas de TOPs mais ouvidas em vários países; Jout Jout Prazer faz um tributo mensal aos Homens, para que se perceba que o Feminismo os inclui também e que não ameaça a sua masculinidade; as meninas do Papo de Preta falam em “Feminismo Negro” e Ana Paula Xongani fala de racismo, e Alexandra Gurgel nos seus Alexandrismo fala de auto aceitação, sobre ser branca e gorda; pais à minha volta, observam sem entender o fascínio, as suas crianças a verem os “Youtubers” na internet.

 

Pais estejam alerta. As vossas crianças estão a ser desconstruídas, ensinadas e empoderadas.

 

Elas não estão a ser formatadas para ouvir sermões de missa.

 

Enquanto esses youtubers famosos brasileiros falam aos jovens portugueses sobre temas que os jovens precisam de ouvir falar e aprender sobre, eu estou sentado no segundo banco de uma igreja para ver os noivos de perto e acompanhar com detalhe todos os desenvolvimentos desse acontecimento que encerra 2018.


O sermão é sempre aquela parte chata da missa, em que o Padre fica tentando encontrar nas escrituras alguma coisa que possa se aplicar ao casal e tentando dar conselhos ou fazendo afirmações sobre como deve ser a vida dos noivos, baseando no pouco que conhece de ambos.

 

Não é fácil, em 2018, alguém ler e defender num púlpito que Deus fez Homem e Mulher, a mulher deve ser obediente ao seu homem, que deve ser submissa aos seus maridos, e que deve ser fecunda e ter filhos como árvores têm frutos.

 

Qualquer argumento, pode ser destruído ao observar que a noiva é uma campeã de Karaté, mestre em Finanças Empresariais, Licenciada em Gestão e Sub-Gerente num Banco.

 

Claramente, não atingiu tais patamares sendo submissa, casta, fecunda, obediente e menos do que um homem. Se o casamento lhe prova alguma coisa é que além de bem sucedida profissionalmente, nos seus passatempos, é bem sucedida também emocionalmente, e uma igreja cheias de amigos ajudam a provar que é bem sucedida nas suas relações de afetivas.

 

Dou por mim a concluir que a igreja católica não está preparada para casar as mulheres de hoje, porque tenta projetar e reforçar nelas uma papel que não vão cumprir, e que não faz sentido algum.

 

No entanto, a gravidade das afirmações não se fica pela desatualizada escritura católica, escrita por padres homens heterossexuais à vários séculos atrás.

 

O Padre coloca-se numa postura mais à vontade, como quem fala não a verdade de Deus, mas a sua verdade e começa a desenrolar um conjunto de afirmações homofóbicas, transfóbicas, sexistas, anti feministas e até xenofóbicas.

 

Começamos pela afirmação que Deus fez homem e mulher e não um caracol e uma caracola. E que se não sabem o porquê do Caracol,explicar que o Caracol é um “Híbrido”. E que “hoje em dia, andam por aí umas pessoas que já ninguém sabe se são homem ou mulher. E que esses que andam praí que não sabem se são homem ou mulher, caracol ou caracola, que deixem casar e viver os que são Homem e Mulher. Que não venham impedir o casamento e atrapalhar os que são Homem e Mulher.”

 

Incrédulo, ri.

 

À vários anos atrás ouvi esta frase que decretou uma visão em mim, que penso ser a mais abrangente, inclusiva, realista, naturalista e humana: “Tudo o que existe na natureza é natural”.

 

Para a minha vida levo duas conclusões, retiradas deste evento:não volto a ir a missas, e a doutrina religiosa nunca esteve tão dissociada da realidade e da humanidade.

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